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[Entrevista] Dr João Pedro Locatelli, Head de Saúde da Hygia.
13 de setembro de 2024

Head de Saúde: cenário, cotidiano & desafios.

João Pedro Locatelli é hematologista pediátrico, professor universitário e head de saúde no Hygia, uma startup brasileira de saúde preventiva.

À medida que a tecnologia continua a transformar o setor da saúde, o papel de liderança de um head de saúde nas healthtechs torna-se cada vez mais essencial. Esse profissional atua como um elo imprescindível entre a inovação tecnológica e as necessidades médicas, garantindo que as soluções desenvolvidas realmente impactem positivamente a vida dos pacientes e a eficiência dos profissionais.


Para discutir esse papel fundamental, o App Health carinhosamente convidou o Dr. João Pedro Locatelli, que está à frente da Hygia, uma healthtech focada em oferecer os melhores programas de saúde como benefícios para empresas. 

Homem de cabelos escuros e barba, vestindo um suéter escuro, contra um fundo azul escuro. Olhando para a câmera.

"Um Head de Saúde que atua com inovação carrega duas bandeiras: a da ciência e a da inovação. O maior desafio é justamente equilibrar esses dois lados". - comenta Dr. João.

João compartilha suas experiências à frente de projetos inovadores em saúde e reflete sobre os desafios e oportunidades no campo da tecnologia médica. Ele nos conta como a visão de um head de saúde pode definir o futuro do setor e melhorar a integração entre tecnologia e medicina.

Background & história

O professor universitário iniciou sua formação em medicina aos 17 anos, longe de sua cidade natal, Erechim, RS, onde passou sua infância. Durante a faculdade, começou a trabalhar como professor de inglês e francês, marcando seu primeiro emprego. Após a graduação, atuou como médico no Exército Brasileiro, participando de missões voltadas tanto para o atendimento da população civil quanto para o cuidado dos militares e suas famílias. Em seguida, ingressou na residência médica em pediatria no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Após se tornar pediatra, especializou-se ainda mais, realizando uma nova residência em hematologia e hemoterapia pediátrica, também no HCPA.


Além da prática médica, é entusiasta de tecnologia e busca maneiras de aplicá-la para melhorar as interações médico-paciente, visando aumentar a qualidade e a continuidade do cuidado. Nos momentos de lazer, dedica-se a desenhar quadros com um estilo minimalista, jogar videogames, brincar com seu cachorro e explorar o universo da gastronomia e culinária. Além disso, também é o líder do time de saúde na Hygia Saúde.


Locatelli é extremamente ativo nas redes sociais, e conta com uma rede de 6 mil seguidores em sua conta no instagram. Suas postagens abordam assuntos que variam entre vida pessoal, business e rotina médica.


Dois cientistas de jaleco branco conferindo uma lista de verificação e segurando uma amostra de sangue.

App Health: Dr, de onde surgiu sua relação com a tecnologia e inovação?! Você já almejava o segmento durante sua graduação?!

João Pedro: minha relação com a tecnologia começou cedo. Desde criança, meus pais me incentivaram a explorar o mundo da informática, o que me fez desenvolver uma curiosidade natural pelo computador e pela internet. Sempre enxerguei a tecnologia como um conjunto de ferramentas capazes de aprimorar processos já existentes. Na graduação, mantive esse interesse, sempre acompanhando as novidades do universo tecnológico, mas, naquela época, não vislumbrava um futuro necessariamente ligado à saúde, tecnologia e inovação. Afinal, era um campo ainda pouco explorado e praticamente invisível dentro da universidade.


No entanto, o que sempre me definiu foi uma inquietude constante. Eu sentia uma necessidade de identificar problemas e acreditar que eles poderiam ser resolvidos. A tecnologia, para mim, sempre foi a chave para resolver muitas dessas questões. A inovação veio como consequência natural dessa busca incessante: inovar é, essencialmente, encontrar soluções mais eficientes para os desafios que enfrentamos.

App Health: Na sua opinião, qual o maior desafio de um Head de Saúde?!

João Pedro: um Head de Saúde que atua com inovação carrega duas bandeiras: a da ciência e a da inovação. O maior desafio é justamente equilibrar esses dois lados. De um lado, temos a ciência, com seu pragmatismo, rigor acadêmico e estudos que garantem a segurança e precisão nas decisões de saúde, fundamentais para evitar erros e minimizar danos. Do outro, a inovação, com sua velocidade, soluções ágeis e a inevitável margem para erros.


Minha principal missão é acelerar o ritmo da ciência sem comprometer a segurança e, ao mesmo tempo, frear o ímpeto da inovação onde a pressa pode gerar riscos. Trata-se de encontrar o ponto de equilíbrio entre a cautela científica e a necessidade de respostas rápidas, essenciais em um cenário de saúde em constante evolução.

App Health: Como você concilia a carreira de hematologista pediátrico com a rotina business da Hygia Saúde?! Poderia nos contar um pouco do seu cotidiano? Adoraríamos saber.

João Pedro: e ainda sou professor universitário! (risos) Eu costumo pensar nisso como os pronomes: eu, nós, eles. Na minha atuação como hematologista pediátrico, estou no "eu": é uma prática muito pessoal, 1:1 com os pacientes e suas famílias, onde ofereço meu conhecimento técnico para tratar doenças e ajudar essas crianças e adolescentes a atingirem seu máximo potencial.


Na Hygia, entro no "nós": trabalho com uma equipe brilhante para criar soluções que ajudem as pessoas a viverem mais e melhor. E como professor, busco inspirar o "eles": compartilhar conhecimento, acender mentes e formar novos profissionais que vão espalhar cuidado por aí. Cada uma dessas atividades fortalece a outra: o business acelera a academia, que mantém minha prática clínica atualizada, e essa prática cria novas demandas para o business. É um ciclo virtuoso.


E sim, eu também durmo, me divirto, saio com amigos, cuido do meu cachorro, vou à academia, jogo tênis, videogame e ainda cozinho. Consegui encontrar um jeito de encaixar tudo isso na rotina. Claro, conto com muita gente incrível ao meu lado para manter tudo funcionando da forma mais otimizada possível.

 App Health: 3 livros indispensáveis para você (relevantes para healthtechs ou não).

João Pedro: 1. Qualquer livro da coleção "O Guia dos Curiosos", de Marcelo Duarte – Para mim, a curiosidade é a maior hardskill e softskill que alguém pode desenvolver. A capacidade de se comunicar e buscar soluções fora da sua área de especialização é uma habilidade poderosa, e essa coleção é uma celebração dessa curiosidade.


2. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley – Simplesmente brilhante e assustadoramente atual. Ele nos força a refletir sobre os rumos da tecnologia e da sociedade de forma que continua ressoando, mesmo após tantas décadas.


3. Comunicação Não-Violenta, de Marshall B. Rosenberg – Depois da criatividade, a habilidade de se comunicar de forma efetiva e sem prejudicar o outro é essencial. Seja como interlocutor ou ouvinte, a comunicação empática é fundamental para quem trabalha com saúde, healthtech, tecnologia, organizações, e mais..

App Health: Conte-nos sobre um atendimento médico que te marcou!

João Pedro: acredito que todos os atendimentos nos marcam de alguma forma. Poderia falar sobre os momentos felizes em que anunciei a cura de um câncer ou sobre os mais difíceis, em que soube que perderia o paciente. No entanto, vou destacar um atendimento em que sinto que falhei.


Eu estava muito cansado, depois de 36 horas de trabalho ininterrupto, pensando apenas em ir para casa e dormir. Fiz um atendimento no piloto automático: apático, perguntando o mínimo necessário e entregando as condutas de forma mecânica, quase "robotizada". Quando fui relatar o caso para minha preceptora, simplesmente travei. Percebi naquele instante que estava no automático, desconectado do paciente. Olhei para ela e disse: "Esse foi o pior atendimento que já fiz na vida. Estou exausto. Preciso parar. Você pode assumir pra mim?"


A capacidade de reconhecer que eu não estava bem e pedir ajuda mudou completamente a minha prática. Esse momento me ensinou que, por mais que tentemos ser sempre fortes e perfeitos, também precisamos nos permitir parar, respirar e pedir ajuda quando necessário. Foi um aprendizado que levo comigo até hoje.

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